quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Estado ganha centros de maturação para o Queijo Minas Artesanal

Produtores do Queijo Minas Artesanal das regiões do Serro, Canastra e Serra do Salitre terão, a partir de março, um centro de maturação em cada uma das tradicionais regiões produtoras. A produção que passar pelos entrepostos de maturação estará habilitada para ser comercializada em outros estados.
- A comercialização fora do nosso Estado é um anseio antigo dos produtores. Enquanto em Minas o mercado já está estabilizado, há um grande potencial de demanda em regiões como São Paulo, Rio e Brasília, explica a assessora técnica da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ana Helena Cunha.


A maturação é um processo regulamentado por legislação federal, exigida para os queijos produzidos com leite cru, um dos itens que caracteriza o queijo artesanal mineiro.
- Durante a maturação, o queijo adquire os parâmetros microbiológicos e físico-químicos exigidos pela legislação, e que vão garantir a qualidade do produto e a segurança do consumidor, explica a assessora técnica.
O centro é uma estrutura em que os queijos chegam, passam por uma limpeza e seguem para um espaço reservado especificamente para o processo de maturação, que varia entre 14 dias (Serro) e 21 dias (Canastra e Serra do Salitre). Cumprido o prazo, o queijo é embalado e distribuído. Segundo Ana Helena Cunha, muitos produtores não têm espaço suficiente para maturar toda a produção pelo período necessário.
- Os entrepostos de maturação vêm atender esta demanda, afirma.
As estruturas estão localizadas nos municípios do Serro, Medeiros e Rio Paranaíba, e serão gerenciadas pelas cooperativas de produtores de queijo das regiões do Serro, Canastra e Serra do Salitre, respectivamente. Cada centro tem a capacidade para receber, aproximadamente, quatro toneladas e meia a cada período de maturação. Os centros vão receber a produção de queijarias devidamente cadastradas no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
A construção das unidades foi viabilizada por meio de convênio entre a Emater-MG e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o apoio das cooperativas e do Sistema Ocemg, que também custeia os exames feitos nos animais (brucelose e tuberculose), além de análises do queijo e da água.

Museu do Queijo
No município de Medeiros, na região da Serra da Canastra, além do centro de maturação, será implantando também o museu do queijo. O museu, que foi concluído no final do ano passado, é resultado de parceria entre a Seapa e a prefeitura.
- A proposta é de que ele seja uma referência na cultura da fabricação do queijo na região, reunindo peças antigas que contêm a história dos processos utilizados ao longo dos tempos, afirma Ana Helena.
O museu funcionará também como ponto de apoio para a venda da produção e como centro de capacitação dos produtores.

Culinária mineira está no centro da programação da 11ª edição do Madrid Fusión

Mais importante festival de gastronomia do mundo, que começa nesta segunda na Espanha, amplia fronteiras culturais do estado

 Madri – Ponto de encontro de chefs, pesquisadores, jornalistas e todo tipo de gente interessada em gastronomia vindos de todas as partes do mundo, o congresso Madrid Fusión começa hoje na capital espanhola, tendo a cozinha de Minas Gerais como homenageada e, inevitavelmente, criando certa aura de mistério junto ao público internacional. Afinal, quantos estrangeiros já ouviram falar de ora-pro-nóbis, jabuticaba e queijo canastra, por exemplo? Até dia 23, vários chefs do estado vão revelar ao mundo a riqueza gastronômica mineira em aulas e palestras, dividindo espaço com estrelas internacionais no palco que, tradicionalmente, lança tendências e abriga discussões que reverberam pelo planeta.

Para ter ideia da dimensão do evento, atualmente em sua 11ª edição, foi numa das suas palestras que pegou fogo a rixa entre os chefs espanhóis Ferran Adrià e Santi Santamaria, este último um defensor fervoroso da cozinha tradicional, inconformado com os avanços do primeiro no revolucionário Restaurante elBulli, a meca da gastronomia molecular, com suas espumas, esferificações e incontáveis experiências. A julgar pela quantidade de chefs de peso presentes (Joan Roca, Andoni Luis Aduriz e Pierre Hermé, Elena Arzak e Quique Dacosta são só alguns), o evento promete.

Pela primeira vez, o Madrid Fusión homenageará um estado e não um país, a exemplo das edições anteriores em que nações como Peru e Coreia foram contempladas em sua programação. A maré está tão a favor de Minas que os chefs do estado ainda serão protagonistas de outro feito inédito: serão eles, em vez dos espanhóis, os responsáveis pelo coquetel de abertura do evento, cujo extenso cardápio inclui itens como caipirinha de pitanga, pão de queijo, paçoca de carne serenada e até farofa de içá. Para fechar, doces de fazenda, queijo minas e café – além de cachaça, é claro. Será hoje à noite, no Casino de Madrid.

São cerca de 15 os chefs mineiros convidados, sendo Ivo Faria (Vecchio Sogno, BH) e Rafael Cardoso (Atlantico, BH) os encarregados da palestra de abertura do congresso, hoje, na qual será abordada a evolução da culinária mineira ao longo do tempo. Rafael terá como ponto de partida a época dos tropeiros, quando a necessidade de transportar a comida no lombo dos animais de carga por dias pelas estradas determinava os ingredientes e processos. Na outra ponta, Ivo falará sobre o momento em que as famílias, já assentadas em vilas, passaram a tirar proveito do que havia ao redor, como verduras e frutas.

O tema do Madrid Fusión este ano é “A criatividade continua” e o ingrediente convidado, desta vez, é o café. Sem dúvida, Minas Gerais é um produtor de café notável em nível mundial, tanto em termos de qualidade quanto em quantidade. O café é um dos produtos que o governo do estado, um dos propulsores da participação mineira no evento, destacará em Madri, formando espécie de tripé com o queijo minas e a cachaça. Não fossem as barreiras sanitárias, muito mais poderia ser mostrado ao público estrangeiro – houve quem planejasse levar queijos de leite cru, verduras e frutas ao evento.

Novas rotas

Ciente da grande vitrine que se tornou o congresso, o governo mineiro organizou delegação composta por cerca de 80 pessoas – entre chefs, empresários e o governador Antonio Anastasia –, apostando alto nos benefícios que essa grande ação em conjunto poderá trazer para o estado, sobretudo na área do turismo. A Rota do Café, de acordo com informações da Secretaria de Estado do Turismo, está ativa desde setembro e recebeu visitas de brasileiros e estrangeiros a fazendas de café. A intenção estatal é criar ainda este ano outras duas rotas; não por acaso, talvez sejam a do queijo e a da cachaça.

Por enquanto, pensar em aumento e diversificação das exportações brasileiras como consequência da divulgação da riqueza alimentar mineira na Espanha é algo prematuro, como avalia o secretário de Estado do Turismo, Agostinho Patrus Filho: “Infelizmente, não há como pensar nisso hoje. Os produtores muitas vezes não têm nem como aumentar 20% ou 30% do que produzem”. As rotas turísticas seriam instrumento importante para alterar essa realidade, visto que pequenos produtores agrícolas de destaque teriam fonte de renda extra para poder investir no próprio negócio.

Cozinha nativa

Mas nem só de mineiros é feita a participação do Brasil no Madrid Fusión. Com presença numa das edições anteriores, o paulistano Alex Atala, chef do D.O.M., atual quarto melhor restaurante do mundo segundo ranking anual da revista britânica Restaurant, fará outra palestra, no último dia do evento. O tema será “Brasil pré-Portugal”, contemplando a cultura alimentar indígena brasileira, estabelecendo ligação com o que já abordou em seu livro mais recente, Escoffianas brasileiras. Além dele,  marcarão presença outros nomes expressivos em âmbito nacional, como César Santos (Oficina do Sabor, Olinda, PE), Mônica Rangel (Gosto com Gosto, Visconde de Mauá, RJ), Flávia Quaresma (Rio de Janeiro, RJ) e Wanderson Medeiros (Picuí, Maceió, AL).

Por falar em Alex Atala, o chef viverá situação curiosa ao lado do colega mineiro Felipe Rameh, que dará aula amanhã sobre a versatilidade da mandioca. Antes de brilhar à frente dos restaurantes Dádiva e Trindade, em BH, Felipe se tornou conhecido na TV como assistente de Atala, quando atendia pelo apelido de Sansão. Agora, em Madri, ele terá a luxuosa assistência do mestre. “A mandioca é o ingrediente que une o Brasil”, resume o jovem chef.

* O repórter viajou a convite do Governo de Minas Gerais

Gastro Festival

O Madrid Fusión termina quarta-feira, mas Minas Gerais continuará a marcar presença na capital espanhola até o fim desta semana, por conta do Gastro Festival, programação paralela de jantares ligada ao congresso. De quarta a sexta, estão previstos seis jantares a quatro mãos em hotéis da cidade. As duplas são Felipe Rameh (Trindade) e Paula Cardoso (Albano’s); Guilherme Melo (Hermengarda) e Rodrigo Fonseca (Taste-Vin); e Pablo Oazen (Assunta) e Leonardo Paixão (Glouton).

 

 

Nossas Receitas - Angu Mineiro com Queijo

Bom dia. Hoje mais uma receita típica das Minas Gerais.

Apreciem, realmente é muito boa. Vamos lá!!!


Ingredientes:

1/2kg de fubá mimoso
2 xícaras (chá) de água fria
2 litros de água fervente
2 xícaras (chá) de queijo minas meia cura ralado

Modo de Preparo:
 
Misture o fubá com a água fria.
Despeje, aos poucos, na panela com a água fervente e mexa sem parar, com uma colher, por 30 minutos.
Quando a mistura começar a grudar no fundo da panela, diminua para fogo baixo e continue a mexer até desgrudar.
Despeje metade dessa mistura em um refratário pequeno, faça uma camada com o queijo e despeje o restante do angu.
Sirva em seguida, se desejar, polvilhado com salsa picada.

Rendimento:

05 porções

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dicionário Caipira / Sertanejo


C
  
Cabeça secco - Soldado da policia.
Caboclo - Caipira cor de cuia ou cobre, descendente dos bugres.
Cabra - (bom, valente, sarado, etc.) - Individuo.
Cabra - Mulato, ou mulata.
Cabrita - Mulata nova.
Cabreúva - Madeira de lei tambem chamada Oleo ou balsamo.
Cabórge - Força mysteriosa. Valentia sobrenatural. Força occulta proctetora do valente.
Caça - Animaes selvagens.
Caça foice - Vagabundo. Homem inutil.
Cadorna - Pequena perdiz - codorna.
Caguira - Azar. Caiporismo. Medo.
Cahidas - (mulheres). Apaixonadas.
Caieira - Monte de lenha que, logo depois de aceza, toma o nome de fogueira.
Caiçara - Caboclo ruim, incorreto. Não uzam os caipiras do planalto a expressão caiçara, como denominação de caipira da beira-mar. No tupy guarany, "caaiçá" quer dizer "cerca de ramos a que se recolhem os peixes pescados". "Caí" tambem quer dizer o gesto do macaco tapando o rosto. . . Gesto commum ás crianças, caipiras. . . Caiçára tambem quer dizer trincheira, paliçada, arraial.
Caipira - Por mais que rebusque o "etymo" de "caipira", nada tenho deduzido com firmeza. Caipira seria o aldeão; neste caso encontramos no tupy guarany "Capiabiguára". Caipirismo é acanhamento, gesto de occultar o rosto; neste caso, temos a raiz "caí" que quer dizer: "Gesto do macaco occultando o rosto". "Capipiara", quer dizer o que é do mato. "Capia", de dentro do mato: faz lembrar o "capiáu mineiro. "Caapi", - "trabalhar na terra, lavrar a terra" - "Caapiára", lavrador. E o "caipira" é sempre lavrador. Creio ser este ultimo caso mais acceitavel, pois, "caipira" quer dizer "roceiro", isto é, lavrador.
Sinonimos de "caipira" conheço apenas os seguintes-"Capiáu", em Minas; "quejeiro", em Goyaz; "matuto", Estado do Rio e parte de Minas; "mandy", sul de S. Paulo; guasca ou gaúcho no Rio Grande do Sul; "tabaréo", Districto Federal e alguns outros pontos do paiz; "caiçara", no litoral de S. Paulo e em todo o paiz, "sertanejo".
Caipóra ou capóra - Infeliz - Do tupy-guarany: "Caapó" -mateiro. Pessôa do mato. Duende sertanejo, protector das caças, anda montado num grande porco selvagem.
Calhambóla - V. canhimbóra.
Caimbra - (doença). Camaras.
Cambuquira - Grelos, brotos de aboboreira.
Campear - Procurar.
Cambetear - Andar tropegamente. Empurrado, correr sem querer batendo uma perna na outra, quasi cahindo.
Cambaio - Perna torta. Que puxa por uma perna no andar.
Cambito - Pernil de porco. Peça para apertar correias e arreios.
Camera - Camara Municipal.
Canelleira - Arvore imponentemente alta.
Canhimbóra ou Canhambóra - Escravo fugido, tornado selvagem nas matas. Do tupy-guarany - "cañybó": o que foge muito.
Canfrô - Alcanfora.
Candimba - Lebre.
Comatio - Corda de viola.
Capêta - Diabo - Satanaz.
Capoeira - Mata de foice, ou mata nova nascida depois de derrubada a mata virgem. Do tupy-guarany: "Caa - mata- "poera" - que foi.
Capoeirão - Capoeira grossa quasi como mata-virgem: "capoeira de machado".
Capim - Graminea - Do tupy guarany "Caapim".
Carpir - Cortar cerce o pequeno mato. Tupy-guarany, "Caapi".
Carapina - Tupy-guarany Carpinteiro.
Carona - Peça de couro collocada sob o arreio e sobre os baixeiros. Gozar sem pagar um divertimento.
Carpa - Capinação.
Capanga - Indivíduo assalariado para guarda de alguem, e que obedece quando o pagante manda agredir ou matar. Em Minas, Goyaz e Norte, tambem têm o nome de "jagunço".
Capanga - Pequeno sacco que se traz a tiracollo.
Cardume - (de peixe) - grande quantidade.
Cardósa - Feminino de Cardoso, como Ribeira o é de Ribeiro.
Carreiro - Trilho feito e seguido pelas caças.
Carreira - Rima obrigatoria nas danças caipiras. Ha a carreira do "Sagrado" (toda a rima em ado), ha a de S. João, do Itararé, do Marruá etc.
Carancho Ave de rapina. O maior dos gaviões.
Carreação - Diarrhéa. Desinteria. "Destempero".
Carreador - Caminho improvisado na lavoura para se tirar em carros o producto da lavoura.
Catingueiro - Variedade de capim. Pequeno veado.
Caugdo ou Cáudo - Cágado.
Cavorteiro - Velhaco.
Caraminguás - Miudezas. Dinheiro miúdo achado no fundo da algibeira ou da mala. Tupy guarany: "Carameguá" -caixa ou cesto para miudezas.
Catira ou Cateretê - Dansa de caboclos formando duas linhas de seis ou mais pessoas, dois a dois, frente a frente, com violas. Cantam em dueto os cantadores seus amores ou os factos principaes do bairro e redondezas, respondendo o côro, sapateando nos intervaílos sob compassos marcados a palmas. O som dos pés no chão e as palmas formam variada musica.
Casaca de ferro - Empregados encasacados de circos de cavallinhos. Serventes encasacados.
Cassununga - Pequena e bravíssima vespa.
Catirina - Prostituta.
Cavado - (amigo, dinheiro). Arranjado. Conquistado.
Cerne - Amago da madeira. Pau que dentro d'agua não apodrece. Estar no cerne (homem) resistir o tempo; não envelhecer.
Cêrto de bocca - Cavallo adestrado e docil ás redeas.
Cerrado ou cerradão - Mata rachitica e escassa em terras que absolutamente nada produzem; nem capim de bôa qualidade.
Cerigote - Arreio semelhante ao lombilho.
Ceriema - Ave pernalta dos campos.
Cerelepe - Espécie de esquilo. Canxinguelê, do Norte.
Chavié ou xavi - Desinchabido - Desapontado.
Chan-chan - Ave trepadora que com seu canto avisa a approximação de alguem, avisando o caipira. É nome onomatopaico. "Cão-cão", do Norte e "Can-can", dos bugres.
Chabó - Andorinha grande de cabeça chata. Taperá-guassú.
Chapadão - Crapada - Rechã - Planalto. Araxá.
Charrôa - Remate de uma obra de couro trançado.
Chimbica - Jogo de cartas tambem chamado manilha.
Chimburé - Peixe de escamas, d'agua doce.
Chico-lerê - Passaro patéta. . . Paulo-pires; jucurêrê.
Chichica - Escremento. Sujidade.
Chiqueirador - Grosso relho com cabo de madeira em forma de chicote.
Chimbéva (homem). Nariz chato, do tupy guarany: "Ti": nariz; "péva": chato.
Chilenas - Esporas grandes.
Chilipe - Carcere.
Chilique - Desmaio.
Choren - Cão sarnento. Gafo.
Chuva - Bebado - Alcoolico.
Chuãã - Cesto ponteagudo para transporte de fructas. É tupy guarany.
Chucro - Bebado - Cavallo não domado ou amansado.
Chupim - Passaro preto menor que o vira-bosta. Come os óvos do tico-tico e põe os seus no lugar, criando o tico-tico os filhos do chupim, apesar da enorme differença. O tico- tico é rajado e o chupim é preto.
Chupim - Marido de professora quando sustentado por ella.
Chumbeado - Bebado.
Cobre - Dinheiro mesmo em papel moeda.
Cócre - Pancada com os "nós dos dedos" na cabeça, tendo a mão fechada.
Cócre de - Cocoras. Sentado sobre os proprios calcanhares
Cogote - Toutiço, cangote.
Coivara - Galhos e ramos que resistiram o fogo das queimadas, ficando apenas com as cascas queimadas ou chamuscadas. Geralmente os autores têm confundido "coivara" com "encoivarar", que quer dizer reunir as "coivaras" para queimar, afim de "destrancar" a roça.
Colondria - de ladrão - Quadrilha de ladrões.
Como que - Extremamente.
Comeu-chão - Venceu grande distancia, em marcha.
Consoante - De accordo. Conforme.
Convencido - Soberbo. Emproado. Vaidoso.
Coró - Verme. Bicho de pau pôdre.
Coróte - Ancorote. Vaso de madeira em fórma de pequeno barril portatil a tiracolo.
Corymbatá Peixe de escama, papa-terra.
Corpo. - Cadaver.
Corruira - Passarinho caseiro insectivoro. Carriça - Cambaxirra, do Norte. Ha a "corruira d'agua" que faz seus ninhos labyrinthicos de milhares de pausinhos, impenetrável para as cobras e mais inimigos.
Criozena - Petroleo, Kerozene.
Cren-dós-padre - Creio em Deus, Pae.
Crioulinhos (Em desuzo) - Pretinhos, filhos de escravos.
Cria - (estar com) - Filho novo de animal cavallar, caprino, ovino ou bovino.
Curupira - (No tupy guarany não ha r forte). Duende selvagem. do Norte, pouco conhecida é a sua lenda em S. Paulo.
Cuzarruim ou Coiza-ruim - Satanaz - Diabo.
Curió - Passaro canoro dos pantanaes.
Cuja - A metade de um porungo ou cabaça.
Cuitélo - Beija-flor. Colibry.
Cuipeva - Colhér.
Cuipé - Pá de madeira para o forno.
Cuéra - Decidido. Valente. Bom. No tupy-guarany quer dizer convalescente.
Cuiára - Habil no jogo. Velhaco. Espertalhão. Rato silvestre.
Cumieira - Parte mais elevada da casa.
Currução - Molestia nervosa. Deita-se a victima, sem dores, e não ha o que a faça deixar o leito. Come se lhe dão comida, sinão, pouco se incomoda.Há moléstia semelhante que na França chamam "corru".
Cumerações - Calculos.
Curtindo - Suportando, triste, uma paixão ou ciume.
Curiango - Ave nocturna.
Cururú - Dansa em que tomam parte os poetas sertanejos, formando roda e cantando cada um por sua vez, atirando os seus desafios mutuos. Os instrumentos usados são: a "puyta", (Instrumento africano trazido pelos escravos), rouquenha, em forma de um pequeno barril tendo o fundo de couro de cabra com uma varinha ao centro; a trepidação produzida com um panno molhado empalmado pelo executante, produz o som, um verdadeiro ronco; o "réqueréque" que é um gommo de bambú, de meio metro, dentado, em que o tocador passa compassadamente uma palheta do mesmo vegetal, secco; o "pandeiro", os "adufes", e a celebre "viola". Os "cururueiros" cantam sem amostras de cansaço, desde o anoitecer até o amanhecer.
É uma dansa mixta do africano e do bugre.

Dicionário Caipira / Sertanejo

B
  
Bacaiáu - (Bacalhau). Instrumento de tortura usado noutros tempos contra escravos. Era um mixto de relho e chicote, com quatro tiras de couro no extremo, em logar da tala.
Bacazio - Tiro forte, com grande estampido.
Baderna - Bebedeira acompanhada de desordem.
Bagre - Peixe de couro.
Baguá - Bagoal. Cavallo inteiro. Grande. Volumoso.
Bandeirantes - Desbravadores dos sertões brasileiros eram, geralmente, paulista de tempera jamais igualada, pois sem estradas e bussolas, percorreram todo o Brasil á cata de ouro e pedras preciosas. Levaram os hespanhóes até o Rio da Prata e chegaram a collocar marcos de posse em pleno centro do Perú. Os bandeirantes demarcaram as fronteiras da Patria, dilataram a Nação, e fizeram o Brasil.
Muitos delles só se dedicavam á escravisação dos indios.
Bangué - Padiola em desuzo, podendo transportar uma familia. Tinha quatro cabeçalhos para um animal em cada ponta, sendo carregada suspensa sobre dois animaes.
Banzé - Desordem. Conflicto. "Rôlo".
Banzativo - Preocupado. Pensativo. Triste.
Bacapary - Deliciosa fructa sylvestre, trepadeira, menor que a jaboticaba.
Barba-de-bode - Capim (graminea) de terra exgotada. Marca de terra ruim.
Bardeado - Transportado.
Barróca - Despenhadeiro. Valle. Grota. Sulco profundo na terra.
Batuira - Ave ribeirinha, pernalta, a que tambem chamam "monjolinho" ou "monjoleiro".
Bate-pé - Dansa cabocla. O mesmo que "sapateado", "cateretê ou "catira".
Batê-bocca - Discussão. Altercação.
Batuque - Dansa de pretos. Formam roda de sessenta e mais pessoas, que cantam em côro os ultimos versos do "cantador" e ao som dos tambús, - tubos de madeira com uma pelle numa das extremidades e que produz sons altos com diversas graduações, - requebram e saltam homens e mulheres, dando violentas umbigadas uns contra os outros. Usa-se tambem nessas dansas, o quingengue - semelhante ao tambú, tendo inteiriça a metade do volume. O compasso é marcado também com palmas. - Hoje raramente dansa-se o batuque. Confundem-no com o jongo e este com o samba. . . Batuque é dansa de negros e o samba é dansa de caboclos...
Bão-de-sá - Bem temperada (comida).
Bebudo - beudo - Alcoolisado. Embriagado.
Beicinho - Movimento de pouco caso com os labios. Distensão do labio inferior, prenunciando chôro e desaponto.
Bentinho - Medalha com imagem benzida pelo padre romano.
Berne - Verme que se introduz na pelle das aves e no couro dos animaes.
Bitatá - Fogo fatuo. Do tupy guarany: "Mboytatá" - mboy:cobra, - tatá: fogo. Diabo. Espirito dos não baptisados.
Birro - nome onomatopaico de um passaro que procura para habitação casas e igrejas velhas.
Boava - Portuguez, no sentido pejorativo. Do tupy guarany "Amboabaê" - pessoa estranha.
Bobagem - Tolice.
Bocage Palavriado insultuoso e depravado.
Bocó - Vasilha feita de couro ou crosta do tatú: sem tampo o bocó está sempre aberto, d'ahi chamarem "bocó" ao "bocca-aberta", palerma ou bobo, ou "bobó".
Bocó - Pateta.
Bodoque - Arma rustica de pau em arco, com cordas e malha para arremesso de pedras ou pelote de barro.
Bolantim - Circo de cavallinhos. Artista equestre ou gymnasta.
Bolo - Pancada com a mão, palmatoria ou regua, na palma da mão.
Botá-a-cuié-torta - Intrometter-se onde não é chamado.
Bóto - (a faca) - Metto a faca.
Botá - Pôr. Collocar.
Braba - Bravia - (Sertania) - Inculta, desconhecida.
Branca - Aguardente de canna.
Bragado - Cavallo manchado de branco e zaino.
Brascuiá - Vasculhar.Remexer no fundo do bolso.
Broca - Ferida profunda que só ataca as mãos, não os pés, do cavallo ou burro.
Bruaca - Grandes bolsas de couro crú, para transporte em lombo de animal - Duas bruacas formam o cargueiro.
Bruaca - (pejorativo) - Mulher velha, imprestavel.
Bufar - Dizer-se valente.
Bugio - Macaco barbado. Engenhoca para canna; produz sons na moagem iguaes ao roncar do bugio.
Bugre - Selvicola - Indio do Brasil.
Buquinha - Beijo.
Buré - Sopa do caldo de milho verde.
Burcão - Bulcão - "Cummulus" prenunciadores de chuvas.
Burbuia - Bolhas de ar que sóbem á tona d'água; bolhas de puz. Do tupy-guarany "bubúi": sobre-nadar.
Buta - (comer) - Ser logrado, enganado. Butia, é um vegetal medicinal, muito amargo; o estrangeiro, metido a sabichão, ao ver-lhe o fructo, colhe, elogia-lhe a doçura e. . . mete-lhe os dentes. . . Comeu Buta. . . a fructa é amarga.
Buxa - Logro, velhacamente preparado num negocio ou barganha.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dicionário Caipira / Sertanejo

Continuando com as novidades começamos a apresentar o Dicionário Caipira / Sertanejo.


Brasileirismos, archaismos e corruptelas coligidos por Cornélio Pires e empregados na "Musa Caipira", "Scenas e paisagens de minha terra", "Quem conta um conto...", e em muitas de suas obras literárias. Foi mantida a ortografia da época por respeito ao trabalho do autor.

A
 
Aááb! - Exclamação correspondente a "Ave Maria", "Aáááh!...Maria Credo".
Abancamos - Sentamo-nos em bancos.
Abancar - Correr fugindo ou em perseguição de alguém.
Abrir-o-pala - Fugir correndo.
Acauan - Ave que se alimenta de reptis. Seu canto prenuncia a chuva.
Acabritada - Amulatada - Mestiça de branco e preto.
Aceiro - Terreno capinado ao redor da roçada a ser queimada.
Afincar o pé - Caminhar com energia. Correr.
Afiniz - Doce - Alfenim.
Agarrar ou Garrar - Principiar. Segurar. Tomar um caminho -"Garrei a estrada".
Agregado - Indivíduo que vive parasitariamente em terra alheia.
Agua-de-assucar - Agua com assucar.
Aguado - Diz-se do cavallo que adoece vendo os outros comer ou beber tendo elle fome e sede.
Aguia - Finorio. Intelligente. Astuto.
Aiva - Desorientado. Fóra de si. Misterioso. Esquesito. Sensação indefinivel.
Alentado - Robusto. Forte.
Alimá - Animal cavallar ou muar.
Aluncio - Annuncio.
Amarrano - Cão negaceando a presa. Preando a perdiz.
A'me! - Exclamativo: "homem"!
Amiudá - Diz-se quando os gallos vão diminuindo o canto ao amanhecer.
Amó-que - A modos que... Parece-me...
Amóde - Por causa de...
Andasso - Epidemico.
Antónho Conseiêro - Pantomima extrahida da grande tragedia bahiana em que o governo chacinou sem razão os sertanejos chefiados pelo caipira Antonio Conselheiro.
Anún - Pássaro preto insectivoro, que acompanha os animaes no campo. Há tambem o "anún branco".
Anún - ficar de - Nú.
Apalermado - Boquiaberto. Abobarrado.
Aparêio - Isqueiro, pedra de fogo de fuzil. Apparelho de fogo.
Após-as-aguas - Depois das chuvas. Aguas, tem o sentido de "chuvas".
Aporrinhar - Cacetear. Amolar. "Ser páo". Vem de porrete.
Ara. . . se - O'ra. . . se. . . Vale a pena
Araponga ou Guaraponga - Ave cujo canto imita o retinir do martello na bigorna, entre sons similhantes aos produzidos por lima, ao se afiarem as grandes serras "traçadeiras". Chamam-lhe porisso o "Ferreiro" ou "Serrador": "Gúiraponga", do tupy-guarany.
Araribá - Arvore grande.
Arejar - Estupôr no cavallo que apanha golpe de ar estando suádo.
Arimbá - Vasilha de barro.
Arisca - Mulher facil. Esposa infiel.
Arriba! - Acima! "Arriba o samba"! Sús!
Arrebentado - Fallido. Empobrecido.
Arrendado - (animal) - Descadeirado. Animal de montaria que, forçado pela redia e espora, deixa o trote natural, para marcha, transformando-se assim um "trotão" em "marchador". A definição dada noutros volumes está errada). -Nota do Autor.
Arrotar - Fazer-se valente. Provocar com arrôtos e escarros. Gabolice.
Arrudado - Zangado. Impulsivo. Bravo
Arma-penada - Duende. Assombramento. Espirito que paira sem destino.
Arma do padre Aranha - Celebre assombração que perseguia os tropeiros.
Arvado - Parte em que se encaba a foice.
As-coisa-feito - Feitiçaria. Magia negra. Bruxaria.
Atiçar - Açular. Instigar. Compellir.
Atripeçar - Sentar-se em tripeça.
Atrodia - (istrodia - strudia - trodia - estrodia) - Noutro dia. Ha poucos dias.
Avacalhar-se - Desdizer-se. Retratar-se. Abandonar seus companheiros em politica, sem-vergonhamente, a pretesto de tranzigencia.
Aviamento - Apetrecho para a caçada. Polvora, chumbo e espuletas.
Azeite de carro - Oleo grosso de mamona.
Azeitinho - Oleo de ricino, purgativo.
Azoretado - Irritadiço. Nervoso. Zangado.
Azucrinado - A mesma coisa que "Azoretado".

Nossas Receitas - Arroz Carreteiro Mineiro

Bom dia pessoal. Estamos voltando depois de um tempo afastado para trazer novidades. Logo a seguir uma receita deliciosa de se preparar e de se deliciar: Arroz Carreteiro Mineiro.

Vamos em frente!!!

Tempo de Preparo: 40 min.
Nível de Dificuldade: Fácil

Ingredientes:

½ kg de carne seca;
250 g de lingüiça de carne de porco defumada;
100 g de toucinho defumado cortado em cubinhos;
3 colheres (sopa) de óleo;
1 dente de alho amassado;
1 cebola picada;
2 xícaras de arroz;
2 cubinhos de caldo de carne

Modo de Preparo:

Cortar a carne em vários pedaços e deixar, de véspera, de molho, em bastante água.
Escorrer e enxugar.
Picar em cubinhos.
Retirar a pele da lingüiça, cortando-a em rodelas finas.
Fritar o toucinho, refogar o alho e a cebola.
Acrescentar a carne e a lingüiça, e fritando mais um pouco.
Acrescentar o arroz e o caldo de carne, dissolvido em 4 xícaras de água fervente.
Cozinhar em fogo baixo, em panela tampada, por 20 minutos.